arte&meios tecnológicos


III Encontro Arte Meios Tecnológicos Escola São Paulo

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O grupo de estudos arte &meios tecnológicos (FASM/CNPq) e a Escola São Paulo promovem, no decorrer do semestre, debates e exposições, no intuito de analisar as possibilidades de intersecção dos meios tecnológicos como potencial de criação e produção artística, na atualidade.


02/04/09–  Ana Paula Lobo, Eduardo Salvino e Marcelo Salum – Curadoria: Ananda Carvalho
08/05/09 – Cláudio Bueno, Denise Agassi e Lucas Bambozzi – Curadoria: Christine Mello
04/06/09 – Mariana Shellard, Monique Allain, Paula Garcia – Curadoria: Nancy Betts
25/06/09 – Encontro aberto com o grupo arte&meios tecnológicos

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Encontros com Arte Escola São Paulo e arte&meios tecnológicos (FASM/CNPq).

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Caderno de divulgação da Escola São Paulo. 1º semestre/2009.

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1º Exposição: Das imagens às coisas

Curadoria: Ananda Carvalho

Artistas: Ana Paula Lobo, Eduardo Salvino e Marcelo Salum

Texto Curatorial

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Exposição Das Imagens às Coisas. Curadoria Ananda Carvalho

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Marcelo Salum. Mitologias Marginais: Sítio Paciência, 2009. Vídeo instalação

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Ana Paula Lobo. O nú descendo a escada, 2009. Vídeo instalação. loop/pb/ s/ som

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Eduardo Salvino. Bem-te-vi, 2009. Vídeo instalação

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[das imagens às coisas]

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Desde Marcel Duchamp, ao longo de toda a história da arte do século XX, discute-se o objeto, a autoria, a despersonalização do gesto criativo, o jogo conceitual e linguístico. A partir dos ready-mades, observa-se a recontextualização dos objetos cotidianos. Dentro dessas questões, pode-se abordar os objetos ou as videoinstalações desta exposição por um viés específico. A complementaridade entre a linguagem videográfica e os elementos físicos é uma característica comum às três obras expostas.

Ana Paula Lobo insere uma projeção em looping numa maquete. Sua obra O Nu descendo a escada realiza-se quando a imagem da mulher toca a matéria, ou seja, quando seus pés tocam delicadamente os degraus da escada da maquete. E ainda, a estratégia de repetição é ampliada num “eco visual”, pois a imagem da figura fragmenta-se em várias imagens da mesma mulher. Por outro lado, a representação do movimento é desacelerada, na medida em que, na edição, a velocidade é alterada e diminuída.

A inter-relação entre os sistemas físicos e digitais também aparece em Bem-te-vi. Nesse trabalho, Eduardo Salvino capta imagens, com um celular, do mecanismo de uma caixinha de música. Esse vídeo, sem áudio, é exibido no mesmo celular, que por sua vez está dentro de uma cópia de uma casinha de João de Barro. A complementaridade dos elementos cria um jogo entre a mobilidade e a fixidez, entre o antigo e o atual. O celular e o próprio pássaro remetem ao movimento, entretanto, esse celular está dentro de uma casa, um ponto fixo. E ainda, o vídeo exibido no celular mostra o mecanismo da caixinha de música rodando, porém, ele gira em torno do seu próprio eixo. Dentro do celular, símbolo do movimento na contemporaneidade, está a imagem de um “movimento analógico”, que explicita uma relação homem-máquina das primeiras décadas do século XX.

Marcelo Salum exibe um vídeo de um passeio por uma barreiro, local de onde retira-se material para a produção de cerâmica. A característica volátil da linguagem do vídeo é transportada para uma “construção” de gordura vegetal que se desmancha, durante o período da exposição, em contato com o calor e a luminosidade de uma lâmpada. Mitologias Marginais: Sítio Paciência constrói-se em processos, formaliza uma experiência multicamadas. Nesse trabalho, o fragmento torna-se um fluxo de um mesmo movimento: o movimento da imagem, o movimento do que é mostrado no vídeo, o movimento da luz da lâmpada, o movimento da gordura vegetal derretendo.

Caracterizo essas três obras como vídeo-coisas, pois ao separar-se signo e significado dos objetos, estes tornam-se coisas. Coisas porque remetem a pensamentos abstratos, ou seja, dão vida às relações do mundo. Em seus tamanhos reduzidos, as coisas chamam a atenção do olhar para o detalhe, a delicadeza. As imagens fazem parte das coisas e estabelecem um jogo entre aquilo que é material e imaterial. Por outro lado, as coisas são imagens, na medida em que possibilitam experiências sensórias de relações estéticas.

Essas obras abrem uma série de exposições e encontros com os artistas e curadores do grupo de pesquisa arte&meios tecnológicos (CNPq/FASM), que integra o mestrado em Artes Visuais da Faculdade Santa Marcelina. Os membros do grupo são: Christine Mello (coordenação), Ana Paula Lobo, Ananda Carvalho, Carolina Toledo, Cláudio Bueno, Denise Agassi, Eduardo Salvino, Josy Panão, Lucas Bambozzi, Marcelo Salum, Mariana Shellard, Monique Allain, Nancy Betts e Paula Garcia. O grupo, formado em 2007, investiga os processos artísticos tendo em vista uma posição crítica e experimental no campo das mediações tecnológicas. Aqui a reflexão e a criação estreitam suas relações.

Ananda Carvalho

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2º Exposição: Demasiada Presença

Curadoria: Christine Mello

Artistas: Cláudio Bueno, Denise Agassi e Lucas Bambozzi

Texto Curatorial . Christine Mello

Texto Crítico . Ananda Carvalho

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Exposição Demasiada Presença. Curadoria Christine Mello.

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Claudio Bueno. Casa Aberta, 2009. Mídias locativas.

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Lucas Bambozzi. Panorâmicas Contidas, 2009. Video-instalação.

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Denise Agassi. Subindo a Torre Eiffel, 2009. Net art.

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[demasiada presença]

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Durante as últimas décadas, as experiências artísticas com os meios tecnológicos ampliam a noção de presença ao incorporarem as redes de trocas de transmissão online e os dispositivos de comunicação móvel. Elas referem-se, com isso, a uma nova dimensão do sujeito no espaço. Traz-nos a dimensão de um espaço conectado a temporalidades simultâneas, cuja natureza presencial é transitória, híbrida, entre a presença física e a virtual, entre o lugar fixo e o móvel. Acentuam processos de interação entre diferentes espaços.

As experiências da arte nesse contexto promovem ações em espaços fluídos e intensificam o desejo de presença, de tomar contato.  Seus sentidos associam a vontade de estar conectado à coexistência da esfera pública-privada. Nesta exposição, a presença é processada de forma entrópica.  Por meio de jogos e circuitos midiáticos, ela produz desarticulações e estranhamento no modo como normalmente acessamos esses espaços cotidianos e imaginários.

Nessa direção, Subindo a Torre Eiffel, de Denise Agassi, hibridiza espaços produzidos pelas redes sociais e pelos álbuns virtuais (como os do images.google e do flickr), tornando visível a nossa presença em seus sistemas indexadores. Consiste na apropriação de banco de dados online e na criação de um algoritmo que localiza vídeos no Youtube em tempo real, por meio de um conjunto de tags que indicam a presença de turistas subindo a Torre Eiffel.

Lucas Bambozzi em Panorâmicas contidas produz imagens panorâmicas de ambientes da vida privada, obtidas com celular. Promove, com isso, um estreitamento de visão como que relacionado à vontade de dar contorno e demarcação a esses lugares ordinários, aqui compilados por meio de fragmentos.  Ao invés de alargar a nossa presença nesses lugares, neles nos coloca por meio de frestas, como possíveis aberturas para acessá-los.

Em Casa Aberta, Claudio Bueno questiona como os lugares se modificam a partir das transmissões online, tornando-os, muitas vezes, vazios e demasiadamente acessíveis. Numa espécie de consentimento perverso, promove interação do público com a sala da sua casa, permitindo que o outro, a partir de uma ligação de celular, acione a troca de canais de sua televisão e invada a sua privacidade. Por meio da intermitência entre o espaço pessoal e coletivo, realoca a presença do outro em seu espaço de intimidade.

As experiências aqui promovidas colocam em conflito o sujeito em ambientes domésticos, bem como o desejo de reconstituir a nossa presença nesses espaços. Se por um lado provocam o contato com o outro, mesmo que com um outro de certo modo ausente, por outro lado invocam a repetição, a contenção e a dificuldade de comunicação.

No século XXI, questionam o estatuto da presença ao mesmo tempo em que retomam o sujeito biográfico, reconfigurando sentido às imagens banais e  reconduzindo a novos patamares relações existentes entre memória pessoal e memória coletiva. Chamam atenção do excesso de presença na vida contemporânea e pedem, com isso, movimentos sutis, pequenos gestos, por meio de redundâncias, frestas e vazamentos do espaço privado ao público.

Essa exposição faz parte do Programa Encontros com Arte que reúne artistas e curadores do grupo de pesquisa arte&meios tecnológicos (CNPq/FASM), que integra o Mestrado em Artes Visuais da Faculdade Santa Marcelina. Os membros do grupo são: Christine Mello (coordenação), Ana Paula Lobo, Ananda Carvalho, Carolina Toledo, Cláudio Bueno, Denise Agassi, Eduardo Salvino, Josy Panão, Lucas Bambozzi, Marcelo Salum, Mariana Shellard, Monique Allain, Nancy Betts e Paula Garcia. O grupo, formado em 2007, investiga os processos artísticos tendo em vista uma posição crítica e experimental no campo das mediações tecnológicas. Aqui a reflexão e a criação estreitam suas relações.

Christine Mello

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O documentar e as estéticas digitais – Sobre a exposição Demasiada Presença

ANANDA CARVALHO especial para o Canal Contemporâneo

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A vivência cotidiana com as tecnologias possibilita aproximar o documentário com a mobile arte, a netarte e a instalação. Esses três formatos estão presentes na exposição Demasiada Presença, com curadoria de Christine Mello, na Escola São Paulo até 30 de maio. A exposição apresenta os trabalhos Casa Aberta (Claudio Bueno), Subindo a Torre Eiffel (Denise Agassi) e Panorâmicas Contidas (Lucas Bambozzi).

As confluências entre videoarte e documentário já são encontradas na programação das últimas edições do Festival de arte eletrônica Videobrasil e nos trabalhos de artistas consolidados como Cao Guimarães, Maurício Dias e Walter Riedweg, entre outros. Considerando as relações e as ações humanas no viver tecnológico, pode-se observar configurações da documentação, do documento e do documentar contemporâneo. Procuro repensar esses conceitos a partir de algumas questões que permeiam as estéticas digitais: o “ao vivo”, a interação móbile, os bancos de dados e a reinterpretação do cotidiano.

A documentação e a estética do “ao vivo” e da interação mobile

Claudio Bueno convida os espectadores da exposição a visitarem “virtualmente” sua casa. Na sala de visitas foi colocada uma webcam que transmite em tempo real para a Escola São Paulo o espaço em que está a sua televisão. O visitante, através de ligações de celular, pode ligar, desligar ou trocar os canais da TV. Essa possibilidade de ação e de escolha faz com que o espectador torne-se um interator. Priscila Arantes retoma Peter Weibel para observar que “obra/mundo/espaço só se manifesta na medida mesma de sua inter-relação com o interator/observador/sujeito: ambos fazem parte de um mesmo sistema, de um mesmo conjunto de inter-relações como diria Vilém Flusser” (Sobre esse tema leia também o texto Fronteiras Líquidas: o artista construtor de espaços-afetos por Priscila Arantes).

Enquanto os programas de televisão convidam o espectador a escolher alternativas a partir de ligações telefônicas, Claudio Bueno desloca o personagem principal. O objeto de interação de Casa Aberta é o aparelho eletrônico e não o conteúdo de uma programação. Do mesmo modo, o foco da câmera também privilegia o objeto, e não o que acontece na casa. Aliás, a sala está quase sempre vazia. A presença, que Christine Mello observa no texto curatorial, está no meio eletrônico, nas transmissões e nas ações do interator. São essas questões que são exibidas no espaço expositivo. Através de um monitor, o visitante pode observar uma documentação efêmera que dura apenas o instante de visualização, que não é arquivada, assim como os diversos arquivos perdidos e esquecidos em meio aos excessos na sociedade da informação. O objeto de documentação seria como algo ordinário, numa espera do por vir, do acontecer… que não chega.

O acontecer também não depende do artista, apesar dele estar exibindo o espaço pessoal da sua casa. O vazio da sala convida à participação e o acontecer depende de um outro, do visitante da exposição. As relações entre o eu (o realizador) e o outro (o documentado) são uma das principais questões do documentário. Mas, no trabalho de Claudio, esse outro é ampliado, transformado. E ainda, esse outro pode ser caracterizado pela ação: de interagir e transmitir.

A transmissão ao vivo evidencia sobreposições de transmissões: a transmissão broadcasting da TV, a transmissão da webcam via internet, a transmissão de dados do celular. Ao relacionar tudo isso com o espaço privado, Claudio ressalta como estamos conectados de diversas maneiras ao longo das 24 horas do dia. A opção de mostrar o que acontece agora reflete uma estética do acaso, do cotidiano, do banal. E nesse tempo todo, o que transmitimos? O que é documentado? E o que deve-se documentar?

O documento e a estética dos bancos de dados

Denise Agassi cria uma netarte que busca vídeos no youtube a partir de uma lista de tags que tematizam a subida à Torre Eiffel em diversas línguas. O resultado é uma edição em tempo real de um vídeo que pode mudar o tempo todo de acordo com o que é postado na web. Os arquivos online tornam-se matéria prima para edição do trabalho, estética que também aparece em youTAG de Lucas Bambozzi exibido no último Emoção art.ficial no Itaú Cultural.

Denise parte de uma “imposição” contemporânea em que uma viagem, ou qualquer vivência, só é válida se for fotografada, filmada e postada na web. O turista precisa registrar essa espécie de “conquista” de visitar um monumento. Subindo a Torre Eiffel, exibido em três monitores justapostos na vertical (a referência ao formato de torre é instantânea), evidencia que vídeos realizados por diferentes pessoas de diferentes nacionalidades apresentam uma perspectiva semelhante da mesma experiência. Entretanto, se por um lado, são exibidos vídeos que apresentam conteúdos homogêneos, por outro lado aparecem imagens que não se relacionam diretamente com os temas propostos.

Esse conflito trás uma outra questão, a indexação online e a nomeação das tags. As tags explicitam escolhas permeadas pela subjetividade de cada usuário. Desse modo, as tags materializam uma perspectiva que sempre esteve escondida por trás do conceito de documento. O documento, do latim documentum, significa, segundo o Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa, “título ou diploma que serve de prova, declaração escrita para servir de prova”. Essa definição, que permeou a história do documentário, foi questionada por alguns realizadores do século passado e ganhou fôlego com a produção documental contemporânea. Entretanto, a relação de veracidade com o documento permanece implícita no imaginário cultural.

Retomo o historiador Jacques Le Goff, que defende que o documento deve ser entendido como um monumento, ou seja, explicita questões sociais, culturais e, neste caso, pessoais. As tags e suas respectivas subjetividades de nomeação nos chamam a atenção para a memória construída. Pensando tudo isso, tomo emprestado as palavras que Lucas Bambozzi usa para apresentar o projeto YouTAG: “Em tempo de tags, metatags e indexadores de busca, o quê é o nome da ‘coisa’ e o quê é o nome possível da representação da ‘coisa’?” Então, me pergunto: o que seriam documentos?

O documentar e a estética de reinterpretação do cotidiano

Lucas Bambozzi apresenta uma instalação com fotografias e vídeos panorâmicos feitas por câmera de celular. As imagens panorâmicas são obtidas a partir de um software simples instalado no aparelho. E os vídeos são as mesmas fotos com outro efeito simples, desta vez de software de edição, que simula um movimento horizontal.

Panorâmicas são formatos de imagens que são tradicionalmente associadas a paisagens e ao extraordinário. Entretanto, os alvos da câmera de Lucas são lugares fechados em situações banais e cotidianas: restaurante, metrô, salas de espera, etc. Neste trabalho, assim como no de Claudio Bueno, opera-se com a inversão do dispositivo. São produzidos significados a partir do que não é esperado do uso habitual das máquinas. Ou seja, não espera-se que fotografias panorâmicas sejam captadas através do celular, e muito menos, que enfoquem ambientes fechados.

As pequenas imagens exibidas em conjunto na instalação são, segundo Lucas, “frestas, ambientes privados fora de seus domínios”. E o artista, ressalta que nossa visão não alcança mais toda a panorâmica, elas parecem ter ficado restritas. Por esse caminho, poderíamos pensar na paisagem cotidiana. O plano fechado comum às fotos de celular também está nos nossos olhos. O todo que a metáfora de panorama engloba talvez seja uma utopia. E o espaço contemporâneo seja mesmo só percebido em pequenas partes, que se repetem, misturam-se, confundem-se. Assim, como o formato de organização de Panorâmicas Contidas no espaço expositivo.

A estética de reinterpretação do cotidiano permeia diversos trabalhos de Lucas: O fim do sem fim (realizado em parceria com Cao Guimarães e Beto Magalhães), Do outro lado do rio, O tempo não recuperado, Cartões Postais, entre outros. Em todos eles, os índices da realidade são matérias primas para formalizar criações estéticas.

A linguagem da mobilidade trazida pelas câmeras de celulares permite aproximar o documentar do criar. Sempre penso que a imagem é um lugar que não existe. O que me faz lembrar dos vídeos que compõem Fast/Slow Scapes de Giselle Beiguelman. Este trabalho da Giselle, assim como o de Lucas, evidencia abstrações subjetivas que utilizam e reinventam as técnicas possibilitadas por uma câmera ou um software de edição. As paisagens tornam-se, então, paisagens recriadas.

Os três trabalhos trazem questões da estética digital contemporânea. São reconfigurações tecnológicas de uma época apresentadas pelo fazer artístico. São cotidianos que se fazem documentar, que constituem uma documentação, que materializam documentos. Entretanto, também são cotidianos recriados. E afinal, os documentários não são releituras do cotidiano?

Posted by Ananda Carvalho at 2:07 PM

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2º Exposição: Variação

Curadoria: Nancy Betts

Artistas: Mariana Shellard, Monique Allain e Paula Garcia.

Texto Curatorial

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Exposição Variação. Curadoria: Nancy Betts

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Paula Garcia. Sem título, 2006. Vídeo1’04. Estudo para um Corpo Ruído # 1. 2007 – 3’09 Videoperformance

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Mariana Shellard e Tuti Fornari. Repartitura, 2009. Instalação multimodal

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Monique Allain. Versos Paralelos, 2009. Vídeo / loop / s/ audio

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[variação]

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A história do desejo da captação da realidade é uma questão que percorre a representação visual da perspectiva renascentista às simulações da computação gráfica. Atualmente o impulso documental e a tendência de mostrar os fatos na emergência dos acontecimentos acentuam a lógica da imediaticidade. Mediadas, cada vez mais, pelos avanços dos meios tecnológicos que possibilitam a comunicação instantânea e móvel, a imagem verossímil, hiperreal, a transmissão ao vivo, os infográficos, a simultaneidade de diferentes visões da imagem parecem nos dar acesso à mais pura verdade, no instante mesmo em que ela acontece. A demasiada presença  desse corpus de imagens reforça a noção de um continuum massificante.

Na contramão da espetacularização, a arte é a interface crítica que possibilita reconfigurar a cena contemporânea buscando meios de suspender hábitos e modelos estabelecidos. Nesta exposição as artistas investigam uma variação de escritura que resista ao registro factual e permita experimentar procedimentos de subjetivização de seus objetos como novos modos de presença.

Em Íntimas Paisagens, Monique Allain ao adotar o plano fechado da visão e o looping descontextualiza a imagem possibilitando uma maior intimidade. O procedimento consiste em dilatar a temporalidade reunindo um tempo do instante, da sensorialidade com um tempo interno, do sentimento. Convida a experimentar a natureza sensível daquilo que está em suspensão – um presente ampliado.

Nos trabalhos de Paula Garcia a repetição do movimento é o dispositivo que cria o acontecimento. Sem a pretensão de dominar a situação, o processo é ao mesmo tempo conhecimento do que é colocado em funcionamento e aceitação da falta total de controle. Deste modo, a artista propõe uma desprogramação de processos finalizados por meio da incorporação do imprevisível como um componente poético.

Mariana Shellard parte de dois desenhos. Estes são mapeados em suas especificidades gráficas, codificados em aspectos sônicos e interpretados como indivíduos de uma população virtual, por meio de uma programação. A partir desta primeira escritura, o sistema de processo generativo e evolutivo funciona como um ativador que permite traduzir, em tempo real, as características visuais em infinitas possibilidades de criação de sons. Acaso e adaptação fazem parte desta construção em ação.

Os trabalhos apresentados não se reduzem a simplesmente pensar uma estética da ausência ou da desmaterialização, buscam muito mais a reversão de processos entrópicos como campo de imanência poética. A variação opõe-se ao pragmatismo industrial de viver a imagem como informação, em sua forma acabada.

Esta exposição faz parte da série Encontros com Arte que reúne artistas e curadores do grupo de pesquisa arte&meios tecnológicos (CNPq/FASM), que integra o mestrado em Artes Visuais da Faculdade Santa Marcelina. Os membros do grupo são: Christine Mello (coordenação), Ana Paula Lobo, Ananda Carvalho, Carolina Toledo, Claudio Bueno, Denise Agassi, Eduardo Salvino, Josy Pavão, Lucas Bambozzi, Marcelo Salum, Mariana Shellard, Monique Allan, Nancy Betts e Paula Garcia. O grupo, formado em 2007, investiga os processos artísticos tendo em vista uma posição crítica e experimental no campo das mediações tecnológicas. Aqui a reflexão e a criação estreitam suas relações.

Nancy Betts

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Montagem da Exposição Demasiada Presença

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Eduardo Salvino, Ana Paula Lobo, Ananda Carvalho e Marcelo Salum

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Conversa com o grupo – exposição das imagens às coisas

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Lançamento do edital do 8º premio Sergio Motta. Giselle Beiguelman, diretora do Instituto.

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+fotos

Agradecimentos: Isabella Prata, Marcos Morais, equipe da Escola São Paulo, Mirtes Marins e Claudio Bueno.

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